Memorias de um caramujo


Foto: Ricardo Calabro

Memórias de Um Caramujo

por Mauricio Pereira

Nas costas de um caramujo, uma casa imensa.

E nessa casa, mil histórias, mil melodias. Formatos, idéias, ferramentas, influências as mais variadas: festivais, tropicalismos, vanguardas, ingleses, mineirices, paulistanidades, o pop, a mpb.

E na cabeça desse caramujo que mora nessa casa gira uma maneira particular de usar tudo isso pra construir canções. Canções de artesão, artefatos cantáveis deste início de século 21: hipertexto e hipermelodia, histórias dentro de histórias, canções dentro da canção, letras dentro da letra.

Pra cantar essa multicanção os caramujos pensam como um time de basquete, daqueles da NBA: todos defendem, todos atacam, trocam funções, mudam de instrumentos, de posição no palco, de funções, do canto pro contracanto, ocupam espaços, criam dinâmicas, exploram os arranjos. E as possibilidades vão se abrindo, duos, trios, timbres, vozes, levadas.

Bandas dentro da banda.

Que grande conjunto – como se dizia antigamente –  os caramujos… Que bela palavra – conjunto – pra descrever uma banda com o senso coletivo assim tão  forte.

Enfim, o som dos Caramujos me conta dum jeito brasileiro de fazer música.  E também me conta que dum jeito paulistano de fazer a música brasileira. Conta que, mesmo cheia de influências e informação (como, afinal, é a vida em São Paulo), uma canção pode ser lírica, lúdica, original, saborosa. Singela.

Bom, lá vai o caramujo cruzando a cidade: nas costas, aquela casa imensa, mil memórias, um database afetivo; na cabeça, girando, mil possibilidades: mil canções.
 
 

Histórico

O Memórias de um Caramujo surgiu em 2007, e desde seu início tem desenvolvido um trabalho de composição, arranjo e interpretação de canções autorais. Com um CD lançado, o grupo tem se apresentado nas principais casas de show de São Paulo, como o Auditório Ibirapuera, Itaú Cultural, SESC Vila Mariana, SESC Consolação, Studio SP, TucArena, Casa de Francisca, Teatro da Vila, Centro Cultural Rio Verde, Casa das Rosas, Casa do Núcleo, entre outros. Também presente no circuito cultural de escolas e universidades (Unicamp, Ufscar, Colégio Equipe, Colégio Oswald de Andrade, Escola Viva), o grupo pouco a pouco busca conquistar outras regiões do estado de São Paulo e do Brasil.

O lançamento do CD Memórias de um Caramujo – Ao Vivo (2011) ocorreu no Espaço Cachuera! (São Paulo) e contou com participações muito especiais. Foram cinco shows, e em cada um os caramujos dividiram o palco com uma banda diferente, sendo três representantes da nova geração da canção paulistana (Pitanga em Pé de Amora, Filarmônica de Pasárgada e Noite Torta), e dois nomes consagrados da música paulistana e nacional: Maurício Pereira, com o show Mergulhar na Surpresa, e o grupo Sem Pensar, Nem Pensar, com as parcerias de Itamar Assumpção e Sergio Molina na voz de Miriam Maria.

Em 2008, o grupo foi vencedor do 38º Festival Nacional da Canção (FENAC – Minas Gerais), com a música Alice. A canção foi posteriormente comentada por Luiz Tatit em matéria para a Folha de São Paulo (20 de março de 2010). Em 2009, participou da 3ª Semana da Canção Brasileira, em São Luís do Paraitinga (SP), do 10º Festival do Instituto de Artes da Unicamp (Campinas – SP) e do Fuzarca – Festival Arte Cultura (São Paulo). Em 2011, a canção O voo foi finalista do Festival Botucanto (Botucatu – SP).

Em 2012, o Memórias de um Caramujo inicia as gravações de seu segundo disco e segue fazendo shows com um repertório que mescla as faixas do primeiro disco, canções ainda não gravadas, mas já conhecidas pelo público, como Ávida Dúvida e Rio, e canções inéditas. A canção Memórias de um Caramujo I integra a coletânea O Ouvido Vivo (2012), da distribuidora Tratore.